Livro de Mórmon - parte 4 - Arqueologia e Livro de Mórmon (parte B)
Jeremy Runnells afirmou que não há evidências arqueológicas que comprovem diretamente a existência dos Nefitas e Lamanitas, mencionados no Livro de Mórmon. Ele disse que esse fato levou apologistas a proporem o Modelo de Geografia Limitada, sugerindo que os eventos ocorreram na América Central ou do Sul, em desacordo com o que teria ensinado Joseph Smith. A falta de artefatos, como armas e estruturas, em contraste com a abundante evidência de outras civilizações antigas, gerou ceticismo, incluindo a conclusão do arqueólogo da Igreja Thomas Stuart Ferguson de que a geografia do Livro de Mórmon não se alinha com a realidade arqueológica. Vamos verificar se isso é correto ou não.
Quem é Thomas Stuart Ferguson
Jeremy diz que Thomas Stuart Ferguson foi um arqueólogo da Igreja. Mas isso não é verdade. Jim Bennett, que escreveu um livro repondendo as mentiras da CES Letter, disse:
"Eu nunca tinha ouvido falar de Thomas Stuart Ferguson antes de ler sua carta, e é provável que a maioria esmagadora dos Santos dos Últimos Dias também não tenha ouvido falar dele. Ele era advogado de profissão, não um arqueólogo, antropólogo ou geólogo treinado – um amador, não um acadêmico – e ele é pelo menos tão "não oficial" em suas críticas quanto os apologistas que você tão prontamente ridiculariza. Seu argumento é bastante fraco se ele é a melhor testemunha que você tem.
Dr. John Sorenson, um homem com credenciais acadêmicas impecáveis que trabalhou com Ferguson, disse o seguinte sobre ele:
[Stan] Larson sugere que Ferguson era um dos "acadêmicos e intelectuais na Igreja" e que "seu estudo" foi conduzido ao longo das linhas de uma bolsa de estudos confiável no "campo da arqueologia." Aqueles de nós com experiência pessoal com Ferguson e seu pensamento sabiam o contrário. Ele possuía um diploma de graduação em direito, mas nunca estudou arqueologia ou disciplinas relacionadas em nível profissional, embora fosse autodidata em parte da literatura de arqueologia americana. Ele tinha uma visão ingênua de "prova", talvez relacionada à sua prática de direito, onde se "prova" seu caso ou perde a decisão; compare a abordagem que ele usou em seu livro simplista de advogado One Fold and One Shepherd. Seus colegas com treinamento científico e, portanto, mais sofisticação nas armadilhas que envolvem questões intelectuais, nunca conseguiram afastá-lo de sua visão estreita de "pesquisa." (Por exemplo, em abril de 1953, quando ele e eu fizemos o primeiro reconhecimento arqueológico de Chiapas central, que definiu o trabalho da Fundação nos próximos vinte anos, sua preocupação era perguntar se os habitantes locais haviam encontrado alguma estatueta de "cavalos," em vez de documentar as dezenas de sítios que descobrimos e registramos pela primeira vez.) Seu papel na "bolsa de estudos mórmon" foi em grande parte o de entusiasta e publicitário, pelo qual podemos ser gratos, mas ele não era nem estudioso nem analista.
Ferguson nunca foi um especialista em arqueologia e o Livro de Mórmon (muito menos no Livro de Abraão, sobre o qual seu conhecimento era superficial). Ele não era alguém cuja "pesquisa cuidadosa" o levou a ver uma luz maior, luz que o libertaria do dogma dos Santos dos Últimos Dias, como Larson representa. Em vez disso, ele era apenas um leigo, inicialmente entusiasmado e esperançoso, mas eventualmente preso por suas expectativas injustificadas, lógica falha, informações limitadas, talvez orgulho ofendido e falta de fé na pesquisa tediosa que a verdadeira bolsa de estudos exige. Os argumentos negativos que ele usou contra as escrituras dos Santos dos Últimos Dias em seus últimos anos demonstram todas essas fraquezas." [1]
Geografia limitada do Livro de Mórmon
Originalmente, muitos dos primeiros membros da Igreja, incluindo líderes como Orson Pratt, acreditavam que os eventos descritos no Livro de Mórmon ocorreram em uma vasta área que abrangia toda a América do Norte e do Sul. Esse modelo geográfico hemisférico foi amplamente aceito durante o século XIX, baseado em uma interpretação literal das descrições encontradas no texto do Livro de Mórmon, como a "estreita faixa de terra" que conecta diferentes regiões. Pratt e outros líderes usaram essas descrições para localizar lugares específicos nas Américas onde acreditavam que os eventos haviam ocorrido.
No entanto, à medida que mais informações sobre antigas civilizações mesoamericanas se tornaram conhecidas, especialmente por meio das descobertas arqueológicas de John L. Stephens e Frederick Catherwood no século XIX, muitos estudiosos começaram a reinterpretar a geografia do Livro de Mórmon. Descobertas de cidades antigas e ruínas na América Central, como as de Copán, Palenque e Quiriguá, levaram muitos a sugerir que os eventos do Livro de Mórmon estavam mais provavelmente confinados à região da Mesoamérica. Essa teoria de uma "geografia limitada" ganhou força, especialmente após a publicação de estudos como os de John L. Sorenson, que argumentou que a geografia descrita no Livro de Mórmon correspondia melhor à Mesoamérica do que a um modelo hemisférico.
A Igreja tem um artigo em seu site oficial sobre o tema, que esclarece:
"A Igreja não toma posição sobre as localizações geográficas específicas dos acontecimentos do Livro de Mórmon nas Américas antigas. Especulações sobre a geografia do Livro de Mórmon podem enganar em vez de iluminar; tal estudo pode ser uma distração de seu propósito divino.
As pessoas podem ter suas próprias opiniões sobre a geografia do Livro de Mórmon e outros assuntos sobre os quais o Senhor não falou. No entanto, a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos exortam os líderes e membros a não defenderem essas teorias pessoais em nenhum contexto ou de nenhuma maneira que implique o apoio profético ou da Igreja a essas teorias. Todos devem se esforçar para evitar contendas sobre essas questões." [2]
Eu pessoalmente acho muito interessante as descobertas que estão sendo feitas na Amazônia, com a tecnologia LIDAR. Talvez os nefitas tenham vivido lá também. Quem sabe! Enquanto não recebermos mais luz, seja da ciência, seja da revelação, ficaremos sem certeza sobre os locais de sua história, mas isso não quer dizer que não tenham existido.
Um excelênte site para conferir evidências do Livro de Mórmon, inclusive evidências arqueologicas é scripturecentral.org/evidence
NOTAS
[1] Traduzido para o português de A CES Letter Reply: Faithful Answers For Those Who Doubt


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