Livro de Mórmon - parte 3 - Livro de Mórmon e os Anacronismos
A CES Letter afirma que uma evidência para a suposta falsidade do Livro de Mórmon são os anacronismos:
"Anacronismos: Cavalos, gado, bois, ovelhas, porcos, bodes, elefantes, rodas, carruagens, seda, aço e ferro não existiam na América pré-colombiana durante a época do Livro de Mórmon. Porque estas coisas mencionadas no Livro de Mórmon eram disponíveis nas Américas entre 2200 AC - 421 DC?"
Vamos discurtir sobre isso, inclusive sobre todos os itens listados por Jeremy Runnells.
LEIA UM RESUMO DE TODAS AS RESPOSTAS PUBLICADAS ATÉ O MOMENTO AQUI.
Anacronismos
Um anacronismo é a atribuição de um evento, objeto, costume ou pessoa a um período de tempo ao qual não pertence. Este conceito refere-se a um erro cronológico, onde algo é colocado fora de seu contexto temporal correto.
A palavra "anacronismo" vem do grego "ana" (contra) e "chronos" (tempo), mas só adquiriu seu sentido cronológico no século XVI.
Imagine que você está vendo um filme ambientado na Idade Média. Se você constata a presença de um relógio de pulso em um personagem, isso seria um anacronismo, afinal, esse objeto não existia na época. Se for um filme de ficção científica, aí podemos deixar passar! Mas, para que haja precisão histórica, o tal relógio não poderia ser mostrado.
Se um historiador afirmasse que as pessoas na Roma Antiga usavam internet para se comunicar, isso seria um anacronismo, já que a internet é uma invenção moderna e não existia na época romana.
Evitar anacronismos é crucial para uma análise histórica precisa e uma compreensão adequada das culturas e eventos do passado.
Portanto, os anacronismos nas escrituras precisam ter alguma explicação lógica, sob pena de as mesmas perderem credibilidade histórica.
Existem basicamente três grandes categorias de alegados anacronismos nas escrituras:
Anacronismos materiais - referem-se a plantas, animais, armas e outros materiais que alegadamente não se enquadram no contexto histórico desejado.
Anacronismos teológicos/intelectuais - referem-se a ideias teológicas ou intelectuais que supostamente não se enquadram em um contexto histórico desejado.
Anacronismos linguísticos/textuais - referem-se a acusações de plágio ou de construções textuais que não fazem sentido para o período histórico referenciado como elaborador do texto.
Vamos falar sobre os anacronismos na Bíblia antes de falarmos dos anacronismos no Livro de Mórmon.
Anacronismos na Bíblia
Os anacronismos na Bíblia referem-se a referências, descrições ou eventos mencionados no texto bíblico que parecem estar fora de seu contexto histórico ou cronológico original [1]. Esses anacronismos podem ocorrer devido a várias razões, como traduções, cópias de manuscritos ao longo dos séculos, ou tentativas de tornar o texto mais compreensível para audiências contemporâneas. Aqui estão alguns exemplos e explicações sobre possíveis anacronismos na Bíblia:
Eis alguns exemplos de znacronismos na bíblia [2]:
Uso de Termos Modernos: Em algumas traduções modernas da Bíblia, termos e conceitos que não existiam na época em que o texto original foi escrito são usados para tornar o texto mais acessível aos leitores contemporâneos. Isso pode ser visto como um anacronismo linguístico.
Referências a Tecnologias ou Objetos: Há menções de objetos ou tecnologias que não estavam disponíveis no período histórico descrito. Por exemplo, algumas traduções mencionam "carros" quando o termo original poderia se referir a carruagens ou carros de guerra, que são conceitos diferentes dos automóveis modernos.
Eventos Históricos: Às vezes, eventos ou figuras são mencionados fora de sua cronologia correta. Por exemplo, a referência a reis ou impérios que existiam em períodos diferentes do contexto original pode ser vista como um anacronismo.
Quais são algumas sausas dos anacronismos na Bíblia? Ao longo dos séculos, a Bíblia foi traduzida inúmeras vezes, e cada tradução pode introduzir elementos anacrônicos devido às diferenças linguísticas e culturais entre a época original e a época do tradutor. Além disso, erros ou alterações feitas por copistas e editores ao longo dos séculos também acabaram por introduzir anacronismos. À medida que os manuscritos eram copiados, pequenos erros ou mudanças intencionais podiam ser incorporados ao texto.
Em algumas situações, os tradutores ou editores fizeram adaptações de certos termos ou conceitos para torná-los mais compreensíveis para as audiências contemporâneas, resultando em anacronismos.
Vamos ver alguns exemplos específicos.
Os Filisteus na Era Patriarcal: Em Gênesis 26:1, há uma referência aos Filisteus no tempo de Abraão e Isaque, embora os Filisteus historicamente só tenham se estabelecido na região durante o período dos Juízes, muitos séculos depois. Este é frequentemente citado como um anacronismo, sugerindo que o autor pode ter usado o nome "Filisteus" para se referir a um grupo de pessoas conhecido pelos leitores de sua época.
Menção de Cidades Anacrônicas: Gênesis 14:14 - No relato de Gênesis 14, Abraão é descrito como perseguindo inimigos até a cidade de "Dã." No entanto, a cidade de Dã, originalmente chamada de Laís, só recebeu esse nome depois que a tribo de Dã a conquistou e renomeou durante o período dos Juízes, muito depois do tempo de Abraão. Essa menção é considerada um anacronismo, sugerindo que o autor ou editor do texto usou um nome contemporâneo aos leitores da época em que o texto foi escrito ou editado.
Uso de Termos Persas em Textos Anteriores ao Império Persa: Ester 1:1 - O livro de Ester menciona "províncias" (satrápias) do império persa, que é um conceito específico da administração persa. No entanto, se os eventos descritos em Ester ocorreram durante o exílio babilônico, como alguns estudiosos sugerem, a terminologia persa aplicada retrospectivamente seria anacrônica. Isso indica que o texto pode ter sido escrito ou editado em um período posterior, quando a estrutura administrativa persa já era conhecida.
Ao estudar a Bíblia e qualquer outro texto antigo é fundamental considerar o contexto histórico e cultural em que os textos foram escritos e também editados. Anacronismos podem fornecer pistas sobre a datação dos textos e as influências culturais e políticas presentes durante a composição e transmissão dos escritos bíblicos. Eles também ajudam os estudiosos a entender como os textos bíblicos foram interpretados e adaptados ao longo do tempo para diferentes audiências e contextos históricos.
Os anacronismos na Bíblia são um forte evidência de que o Livro de Mórmon não é obra de ficção do século XIX, pois, como um texto religioso muito antigo, também deveria conter elementos anacrônicos.
Anacronismos no Livro de Mórmon
Há anacronismos no Livro de Mórmon? Sim, aparentes anacronismos, eu diria.
Interessante, contudo, que ao longo dos anos, com novas descobertas, algo considerado anacrônico é explicado. Antes de falar da lista trazida por Runnells, deixe-me mostrar algo. John Clark, um estudioso da Igreja, em "Debating the Foundations of Mormonism: The Book of Mormon and Archaeology," numa conferência de estudiosos e apologistas em 2005, preparou um gráfico que demonstrava uma tendência de confirmações para o relato do Livro de Mórmon [3] . Eu traduzi o gráfico::
O que essa lista não exaustiva mostra é que com o tempo, aquilo que é considerado uma erro ou uma aberração, se torna explicável e até evidente.
Agora vamos verificar a lista da CES Letter: "cavalos, gado, bois, ovelhas, porcos, bodes, elefantes, rodas, carruagens, seda, aço e ferro"
CAVALOS
Há três explicações para "cavalos" no Livro de Mórmon.
A primeira delas é que relamente havia cavalos. O artigo "New Evidence for Horses in America" discute uma nova pesquisa que desafia a visão de que não havia cavalos nas Américas durante o período descrito no Livro de Mórmon. Um teste recente de radiocarbono em um osso de cavalo encontrado no México datou-o de cerca de 500 a.C., próximo ao tempo dos nefitas. Embora encorajadora, essa evidência ainda é considerada provisória e mais testes são necessários para confirmar esses achados. [4]
A segunda explicação é queo termo "cavalo" pode ter sido usado para se referir a outros animais semelhantes, como a anta ou o veado, devido a limitações linguísticas. Os cavalos poderiam ter sido reintroduzidos ou reconhecidos de maneira diferente pelos antigos habitantes das Américas. [5]
A terceira explicação é a tradução. Brant Gardner argumentou que "vocabulário anacrônico como 'cavalo' no Livro de Mórmon é o resultado da imposição de sua cultura linguística pelo tradutor moderno, e não que tais palavras representam uma tradução literal de um rótulo cruzado nefita. [6]
Para saber mais vá ao site Central das Escrituras (em português) ou Scripture Central em inglês, e difite a palavra "Horse" (Cavalo). Uma literatura ampla é acessível ao interessado, muitas vezes acompanhada de vídeo. Por exemplo: https://centraldasescrituras.org/knowhy/lei-encontrou-cavalos
GADO E BOIS
Há espécies nativas de bovinos na América antiga. O uso destes termos no Livro de Mórmon pode també mser explicado com a "transferência de signficado".
Wade E. Miller e Matthew Roper escreveram como "diferentes espécies de bovídeos são e têm sido nativas do Novo Mundo" e argumentam que qualquer deles pode satisfazer o conceito de "boi" ou "vaca" do Livro de Mórmon.
John L. Sorenson e Michael Ash, por outro lado, defenderam a transferência de empréstimos. Ash escreveu:
"O termo “gado” é usado três vezes no Livro de Mórmon (Éter 9:17-19; Enos 1:21; 3 Néfi 3:22), enquanto o termo “vaca” é usado duas vezes (Éter 9:18; 1 Néfi 18:25). O registro jaredita não é claro se “gado” e “vacas” são os mesmos animais, ou se “vacas” são uma subcategoria de “gado”. Quando os índios de Miami, que estavam familiarizados com as vacas, encontraram pela primeira vez os búfalos desconhecidos, eles simplesmente os chamaram de “vacas selvagens”. Da mesma forma, o explorador DeSoto chamou o búfalo de “vaca”, que significa “vaca” em espanhol. Os índios de Delaware chamaram a vaca de “cervo”, e um grupo de índios de Miami rotulou as ovelhas, com as quais eles não estavam familiarizados, de “parece uma vaca”. [7]
OVELHAS, BODES
A "ovelha" ou "cabra" no Livro de Mórmon poderia ser um empréstimo para animais como a anta ou o antílope. Existe uma espécie nativa de ovelha no norte do México, a ovelha selvagem (Ovis canadensis mexicana).
John L. Sorenson observou como "Uma das nove palavras hebraicas para ovelhas, zemer, é traduzida em diferentes versões da Bíblia como 'ovelha da montanha' e 'cabra da rocha', enquanto um estudioso judeu acredita que significa um antílope." [8]
Um estudo publicado em 2006 revisou a distribuição desta espécie nativa de ovelha e observou:
"Historicamente, carneiros selvagens do deserto ocorreram em Coahuila, México. . . Encontramos documentação histórica de carneiros selvagens em 14 cadeias montanhosas (Sierra Alamitos, Sierra Maderas del Carmen, Sierra la Encantada, Sierra Hechiceros, Sierra del Pino, Sierra Mojada, Sierra el Rey, Sierra San Marcos y del Pino, Sierra Gavia e Sierra la Paila), incluindo 4 anteriormente não registradas (Sierra el Fuste, Sierra el Almagre, Sierra de la Madera e Sierra la Fragua). Além disso, foi identificado um sítio arqueológico com restos de ovelhas selvagens (Caverna La Candelaria)." [9]
PORCOS
O caititu (família Tayassuidae), animal nativo da América Central, poderia ser qualificado como o “suíno” mencionado no texto. Essa ideia vem dee John L. Sorenson e Michael R. Ash:
"Apesar das acusações de alguns críticos, os primeiros americanos tinham porcos nativos. Os astecas os chamavam de pisote, que basicamente significa “glutão” e era frequentemente aplicado ao queixada ou ao porco selvagem. Deve-se notar também que alguns críticos ridicularizaram o Livro de Mórmon por mencionar os porcos como “alimento útil” (ver Éter 9:18). Embora os críticos afirmem que isto teria violado a Lei Mosaica, eles não reconhecem que a declaração em Éter teria sido feita antes da Lei de Moisés." [10]
ELEFANTES
Foram identificados espécimes de restos de mamutes que parecem empurrar a extinção do animal para mais perto dos tempos jareditas [11]. Há evidencia entre as tradições e contos dos nativos americanos sobre animais parecidos com elefantes [12].
RODAS E CARRUAGENS
As "carruagens" mencionadas no Livro de Mórmon nunca são retratadas no contexto da guerra e não são explicitamente puxadas por cavalos (embora os cavalos sejam mencionados com elas). Eles poderiam ser algo como uma liteira ou palanquim.
John L. Sorenson e Brant Gardner sugeriram que as "carruagens" mencionadas no Livro de Mórmon poderiam ser uma ninhada real. Royal Skousen observa ainda como em 3 Néfi 3:22 as “carruagens” são mencionadas no contexto da migração, não da guerra, e como elas poderiam, portanto, ser vistas como “carroças (ou talvez carroças) [usadas] para transportar as famílias , suprimentos de alimentos e propriedades. [13]
SEDA
A "seda" no Livro de Mórmon poderia ser qualquer variedade de fibra nativa pré-colombiana obtida de várias plantas ou casulos de mariposas ou borboletas. John L. Sorenson, por exemplo, argumentou que a "seda" nefita poderia ter derivado dos casulos de mariposas selvagens ou de vagens da árvore ceiba. [14]
Várias fibras vegetais nativas pré-colombianas que foram fiadas por grupos indígenas americanos foram chamadas de "seda" por fontes históricas e contemporâneas. [15]
AÇO E FERRO
O Livro de Mórmon menciona ferro, aço, cobre, ouro, prata e latão como sendo fabricados ou trabalhados entre o povo de acordo com passagens que incluem 2 Néfi 5:15; Jarom 1:8; Mosias 8:10; 11:3, 8–10; Éter 7:9: 10:23.
Em termos de metalurgia do Velho Mundo, a representação da espada de aço de Labão e do arco de aço de Néfi no Livro de Mórmon não é mais problemática, de acordo com os pesquisadores santos dos últimos dias, já que o aço (ferro carbonizado) é agora atestado na antiga Judá já no século XIX. século X a.C. Além disso, eles apontam que “aço” às vezes é usado na Bíblia KJV para traduzir a palavra hebraica para bronze. [16]
O artigo "Steel in the Book of Mormon" analisa as críticas sobre a menção de aço no Livro de Mórmon, argumentando que o termo "aço" pode referir-se a diferentes materiais metálicos, como bronze ou cobre, devido a traduções linguísticas. Ele destaca que as menções de aço são limitadas e geralmente associadas a armas do Oriente Próximo, sugerindo que os nefitas podem ter abandonado a tecnologia do aço por volta de 400 a.C. [17]
Conclusão
Os anacronismos mencionados na CES Letter, como cavalos, gado, seda, aço e outros itens no Livro de Mórmon, são frequentemente utilizados como evidências contra a sua autenticidade. No entanto, ao analisar cuidadosamente cada um desses supostos anacronismos, observa-se que novas descobertas e interpretações podem fornecer explicações plausíveis para a maior parte deles. É importante lembrar que a tradução, os contextos culturais e as descobertas arqueológicas em andamento desempenham papéis cruciais na compreensão dessas aparentes inconsistências. Assim, os anacronismos não necessariamente invalidam a historicidade dos textos antigos, mas sim, podem oferecer uma visão mais profunda sobre a complexidade de sua transmissão e interpretação ao longo do tempo.
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NOTAS
[1] Exemplos de supostos anacronismos na Bíblia reunidos no website mormonr.org:
Tradução
O Antigo Testamento da Bíblia King James é uma tradução do hebraico, mas contém a palavra francesa "bruit" em Jeremias 10:22.
Outro exemplo é a palavra familiar "vela" em vez de "lâmpada a óleo" usada na tradução King James.
Referências a certas cidades e povos
Alguns estudiosos consideram anacrônica a referência aos filisteus, arameus e Ur dos caldeus em Gênesis. Outros estudiosos disseram que isso poderia resultar de transmissores e copistas da Bíblia atualizando o texto para seus públicos específicos.
Referências a animais
Alguns consideram as referências a camelos em Gênesis anacrônicas. No século XXI, outros defenderam evidências de que os camelos estavam presentes durante a era descrita nas narrativas patriarcais do Gênesis.
Práticas culturais ou sociais
Alguns viram as referências ao nomadismo pastoral nos primeiros capítulos do Gênesis como anacrônicas, embora trabalhos recentes tenham contestado isso.
Tecnologia
O armamento de cerco mencionado em 2 Crônicas 26:15 é um anacronismo introduzido pelos editores do texto. A descrição da tecnologia e das expedições marítimas durante o reinado do rei Salomão em 2 Crônicas 8:17-18 também é considerada anacrônica.
Terminologia
Há exemplos de termos e indivíduos anacrônicos no texto de 1 Macabeus. "Seron" é descrito como o chefe do exército selêucida, e o termo "Mísios" é usado incorretamente.
(Fonte: https://mormonr.org/qnas/pLBiLb/anachronisms_in_the_book_of_mormon )
[2] Um exemplo bem popular sobre anacronismo na Bíblia vem dos camelos. Mais de uma década atrás, foi publicada uma pesquisa afirmando que as representações de camelos nas escrituras podiam estar erradas.
No Antigo Testamento, camelos são frequentemente mencionados como meio de transporte. Um exemplo é quando Abraão envia um servo para encontrar uma esposa para seu filho Isaque, e o servo escolhe Rebeca por sua gentileza em oferecer água aos camelos. No entanto, estudiosos suspeitam que essas caravanas de camelos são um anacronismo literário. Evidências arqueólogicas israelenses usando tecnologia de datação por carbono revelaram que os primeiros restos conhecidos de camelos domesticados datam de depois do tempo de Abraão. Os camelos eram itens valiosos na economia do mundo antigo, mas só se tornaram importantes na economia bíblica por volta do século 10 a.C. As histórias sobre Abraão possuindo muitos camelos ou a participação de camelos na história de Rebeca no poço ocorreriam centenas de anos antes dos camelos serem domesticados. Assim, a conclusão seria de que os autores desses textos, que moldaram as lendas séculos após os eventos, utilizavam o conhecimento de sua época para descrever figuras bíblicas importantes como possuidoras dos itens mais valiosos disponíveis.
Essas descobertas indicariam que os textos bíblicos foram escritos ou atualizados muito tempo depois dos eventos descritos. Isso pode sugerir que a literatura bíblica não é história no sentido moderno, mas uma coleção complexa de narrativas transmitidas ao longo do tempo. Esses achados não lançam uma sombra sobre os textos bíblicos, mas iluminam sua complexa história de transmissão e nos fazem refletir sobre o significado das histórias em vez de sua factualidade.
Fontes: "Camels in the Biblical World", Denver Seminary, October 2022, https://denverjournal.denverseminary.edu/the-denver-journal-article/camels-in-the-biblical-world/. (Acesso 08 de julho de 2024); e "The Curious Case of Camels", https://shop.catholic.com/blog/the-curious-case-of-camels/ (Acesso 08 de julho de 2024)
[3] John Clark, Wade Ardern, Matthew Roper, "Debating the Foundations of Mormonism: The Book of Mormon and Archaeology," FAIR Conference, 2005 - https://www.fairlatterdaysaints.org/conference/august-2005/debating-the-foundations-of-mormonism-the-book-of-mormon-and-archaeology
John Welch e Lynne Wilson comentam sobre a atualização da lista com anacronimos aqui: https://www.youtube.com/watch?v=9IkqNYZ_bNc&list=PLhfh21X9suLcxKnoLPn1hVPS6L5nTeO4t&index=15
[4] Miller and Roper, “Animals in the Book of Mormon,” 164; Wade Miller, Science and the Book of Mormon: Cureloms, Cumoms, Horses and More (Laguna Niguel, California: KCT & Associates, 2010), 82. For a review, see Neal Rappleye, “A Scientist Looks at Book of Mormon Anachronisms,” Interpreter: A Journal of Mormon Scripture 10 (2014): 123–131. https://scripturecentral.org/blog/new-evidence-for-horses-in-america?searchId=75a344ffbb1986e64641b8a64038eca2cbf1d011f3eb9594104ebe22cae317c0-en-v=9ad4ecf
[5] A mudança de empréstimo de “cavalo” > “anta” é atestada entre os maias. Da mesma forma, as tribos indígenas norte-americanas usaram a palavra “cachorro” para traduzir “cavalo”:
Em Pawnee, destaca o Shield Chief Gover, a palavra para “cavalo” pode ser traduzida como “cachorro novo”. Outras línguas indígenas também refletem uma falta de familiaridade inicial com os animais: os Blackfeet os chamavam de “cães alces”, os Comanches de “cães mágicos”, os Assiniboine de “grandes cães”. “Mesmo na linguagem, aparece como ‘o que é isso?!’” O Governador Chefe do Escudo ri. “Nossas tradições orais não dizem que sempre tivemos cavalos. Esta é outra evidência que mostra que as tradições orais sempre foram corretas e que a arqueologia está se atualizando.
A Science publica um artigo sobre evidências de cavalos nas Américas antes de Colombo; observa que várias tribos compararam cavalos a “cachorros”: Andrew Curry, "Horse Nations," Science 379, no. 6639, March 30, 2023, accessed April 3, 2023
Michael D. Coe traduz a palavra maia tzimin como “cavalo” e “anta”: Michael D. Coe, Breaking the Maya Code, 3rd edition (London: Thames & Hudson, 2012), 52-53
EN Anderson analisa as convenções de nomenclatura maia para animais (transferência de empréstimo): E. N. Anderson, Political Ecology in a Yucatec Maya Community (Tucson, AZ: The University of Arizona Press, 2005), 66
Martha J. Macri e Matthew G. Looper entrada do dicionário para hieróglifo maia para "anta": Martha J. Macri and Matthew G. Looper, The New Catalog of Maya Hieroglyphs, 2 vols. (Norman, OK: The University of Oklahoma Press, 2003), 1: 78
Todas essas referências foram recolhidas das notas do artigo "Anachronisms in the Book of Mormon", no site Mormonr: https://mormonr.org/qnas/pLBiLb/anachronisms_in_the_book_of_mormon
[6] Brant A. Gardner, The Gift and Power: Translating the Book of Mormon (Salt Lake City: Greg Kofford Books, 2011), 236-39
[7] Moses Thatcher discute a presença de cavalos, elefantes, burros, bois e vidro no Livro de Mórmon e à luz das descobertas do Novo Mundo: Moses Thatcher, “Divine Origin of the Book of Mormon,” The Contributor 2, No. 11 (August 1881): 322-23
Michael R. Ash discute animais como os elefantes no Livro de Mórmon; argumenta que há evidências de alguns desses animais durante a época do Livro de Mórmon; alguns podem ser respondidos como exemplos de “transferência de empréstimos”: Michael R. Ash, "Hunting for Elephants in the Book of Mormon," Meridian Magazine, September 20, 2010, accessed August 23, 2023
John L. Sorenson discute metais, animais, etc. no Livro de Mórmon e na antiga Mesoamérica em resposta às críticas de Deanne G. Matheny: John L. Sorenson, "Viva Zapato! Hurray for the Shoe!" FARMS Review of Books on the Book of Mormon 6, no. 1 (1994): 297-361
John L. Sorenson fornece evidências de transferência de empréstimos na Mesoamérica: John L. Sorenson, “The Elephant in Ancient America,” in Progress in Archaeology: An Anthology, ed. Ross T. Christensen (Provo, UT: Brigham Young University, 1963), 98
Wade E. Miller e Matthew Roper abordam os animais do Livro de Mórmon; argumenta que muitos deles foram atestados em descobertas, e alguns talvez explicados à luz da "transferência de empréstimos": Wade E. Miller and Matthew Roper, "Animals in the Book of Mormon: Challenges and Perspectives," BYU Studies 56, no. 4 (2017), 133-75
Todas essas referências foram recolhidas das notas do artigo "Anachronisms in the Book of Mormon", no site Mormonr: https://mormonr.org/qnas/pLBiLb/anachronisms_in_the_book_of_mormon
[8] John L. Sorenson, "Viva Zapato! Hurray for the Shoe!" FARMS Review of Books on the Book of Mormon 6, no. 1 (1994): 297-361
[9] Alejandro Espinosa-T., Andrew V. Sandoval and Armando J. Contreras-B., "Historical Distribution of Desert Bighorn Sheep (Ovis canadensis mexicana) in Coahuila, Mexico," The Southwestern Naturalist 51, no. 2 (June 2006): 282–288
[10] John L. Sorenson, Images of Ancient America: Visualizing Book of Mormon Life (Provo, UT: Foundation for Ancient Research and Mormon Studies, 1998), 46-47
[11] Wade E. Miller e Matthew Roper, escrevendo em 2017, resumem as evidências que sugerem que os mamutes foram extintos muito mais tarde do que se acreditava anteriormente:
"Juntamente com vários mamíferos de grande porte, pensava-se que os mamutes haviam sido extintos há cerca de dez mil anos. Sabe-se agora que o mamute sobreviveu por mais alguns milhares de anos. Mead e Meltzer forneceram uma idade de 4.885 anos antes do presente para um espécime datado de mamute. . . Estas datas são recentes o suficiente para situar o elefante na época dos jareditas. A data para um mamute no norte da América do Norte foi citada em 3.700 anos antes do presente. Um mamute do Alasca foi datado de 5.720 anos atrás. À medida que mais descobertas de mamutes (elefantes) forem feitas, sem dúvida surgirão datas ainda mais jovens. Geralmente, quando as populações das espécies animais diminuem, estas sobrevivem mais tempo nos refúgios do sul. Pequenas populações de mamutes poderiam ter sobrevivido na Mesoamérica muito depois do final do Pleistoceno. O fato de as datas conhecidas de mamutes na Mesoamérica serem numerosas até o final desta época apoia esta visão." (Wade E. Miller and Matthew Roper, "Animals in the Book of Mormon: Challenges and Perspectives," BYU Studies 56, no. 4 (2017), 133-75)
Em 2021, a Nature Communications publicou um estudo mostrando que bolsões de mamutes sobreviveram no Yukon por volta de 3.500–2.000 aC. (Tyler J. Murchie et al., "Collapse of the mammoth-steppe in central Yukon as revealed by ancient environmental DNA," Nature Communications, December 8, 2021, accessed January 12, 2024)
[12] "Elephants in the Book of Mormon", FAIR, https://www.fairlatterdaysaints.org/answers/Elephants_in_the_Book_of_Mormon
[13] John L. Sorenson, Images of Ancient America: Visualizing Book of Mormon Life (Provo, UT: Foundation for Ancient Research and Mormon Studies, 1998), 58-59
[14] John L. Sorenson, Mormon's Codex: An Ancient American Book (Salt Lake City: Deseret Book; Provo, UT: Neal A. Maxwell Institute, 2013), 345-47
[15] Diego de Landa chama a fibra (sumaúma) da árvore Ceiba de “seda”: Diego de Landa, Landa’s Relación De Las Cosas De Yucatan: A Translation, ed. Alfred M. Tozzer (New York: Kraus Reprint Corporation, 1966), 200-1, 205
Matthew Wallrath chama a fibra nativa de “seda selvagem”: Matthew Wallrath, "Excavations in the Tehuantepec Region, Mexico," Transactions of the American Philosophical Society, New Series 57, Part 2 (1967): 12
Richard S. Peigler relata o uso da seda entre os astecas no México e na América Central: https://mormonr.org/qnas/pLBiLb/anachronisms_in_the_book_of_mormon/research#re-dMTmWh-fT9f7f
[16] Lloyd Weeks, “Metallurgy,” in A Companion to the Archaeology of the Ancient Near East, ed. D. T. Potts, 2 vols. (London: Blackwell Publishing, 2012), 1:311-312
[17] "Steel in the Book of Mormon", William Hamblin, FAIR, https://www.fairlatterdaysaints.org/archive/publications/steel-in-the-book-of-mormon


Que interessante, gosto muito de me aprofundar nos estudos das escrituras e parabéns a todos pelo estudo que fizeram é incrível. Me fez querer estudar mais 🙏🏻🥰
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