Livro de Mórmon - parte 4 - Arqueologia e Livro de Mórmon (parte A)

A CES Letter afirma que "não há absolutamente nenhuma evidência arqueológica que apoie diretamente o Livro de Mórmon. Contudo, como mostrarei, isso não é verdade.



LEIA UM RESUMO DE TODAS AS RESPOSTAS PUBLICADAS ATÉ O MOMENTO AQUI.

O que é uma prova?

Antes de iniciar precisamos definir o que é “prova” ou “evidência”. Como advogado, sei que a prova no processo judicial é fundamental para estabelecer fatos, convencer o juiz ou júri e tomar decisões nos autos. Na ciência e em muitos outros contextos, os termos "evidência" e "prova" podem ter significados distintos. Uma evidência refere-se a dados ou informações que suportam uma hipótese ou teoria. Ela pode ser obtida através de observações, experimentos, medições ou outras formas de coleta de dados. A evidência é usada para avaliar a validade de uma hipótese ou teoria.

Daí temos a evidência empírica - que são dados coletados através de observação ou experimento. A evidência anecdótica que são histórias ou exemplos pessoais, que não são cientificamente rigorosos. E a evidência circunstancial: que sugere uma conclusão, mas não diretamente conclusiva.

Na ciência, a evidência deve ser:
  • Reprodutível: outros cientistas devem ser capazes de obter os mesmos resultados usando os mesmos métodos.
  • Verificável: deve ser possível verificar a evidência através de métodos independentes.
  • Objetiva: deve ser baseada em dados mensuráveis e observáveis, e não em opiniões ou sentimentos.
Agora, a prova é um conceito mais forte e definitivo que evidência. Muitos cientistas evitam o termo "prova", pois a verdade na ciência não é vista como absoluta. Todas as teorias são provisórias e podem ser revisadas à luz de novas evidências. Daí se fala de verdade funcional. A prova implica uma certeza absoluta, o que é difícil de alcançar na ciência. A ciência prefere falar em "evidências robustas" ou "suporte forte" para uma teoria ou hipótese. Isso ocorre porque:
  • A ciência é baseada no método científico, que é iterativo e autocorretivo.
  • Novas descobertas ou dados podem alterar ou refinar teorias existentes.
  • As teorias científicas são aceitas com base no peso das evidências disponíveis, mas permanecem abertas à revisão.
Assim, enquanto a ciência busca continuamente evidências mais fortes e compreensivas para suportar suas teorias, ela reconhece que "prova" no sentido absoluto é algo que está fora de seu alcance devido à natureza sempre em evolução do conhecimento científico.

Em outros contextos, como na matemática, o termo “prova” tem um significado específico. Trata-se de um argumento lógico que demonstra a verdade de uma proposição com base em axiomas e teoremas já estabelecidos. Na matemática, uma prova é conclusiva e indiscutível. Por exemplo: prova de que a raiz quadrada de 2 é irracional.

Na arqueologia “prova” é na verdade uma evidência material que é usada para compreender e interpretar o passado humano. Podem incluir uma vasta gama de artefatos, estruturas e outros vestígios deixados pelas culturas antigas.

Agora nem sempre uma prova ou evidência é suficiente para convencer alguém. Especialmente quando falamos da historicidade das escrituras. Muitas descobertas arqueológicas são fragmentárias ou incompletas, o que pode levar a diferentes interpretações. Também as pessoas interpretam os dados através de suas próprias perspectivas, crenças e preconceitos, o que pode levar a diferentes conclusões. Fora isso há desafios científicos como diferenças nos métodos de datação, erros na coleta de dados ou controvérsias entre especialistas, que podem gerar desconfiança.

Deve haver uma maneira mais excelente para se descobrir a verdade religiosa, da qual as histórias das escrituras fazem parte. Um crente não pode depender inteiramente de evidências científicas. Ele precisa adquirir seu próprio testemunho das verdades espirituais, por meios espirituais. Isso não significa que os indícios e evidências da ciência não tenham lugar ou importância, mas são, antes de tudo, secundários e adicionais, e não essenciais. Uma pessoa pode, por exemplo, saber que Jesus é o Cristo, independentemente de uma evidência arqueológica primária do homem Jesus Cristo, que aliás, não existe hoje. Esse conhecimento também obedece um padrão racional de busca e valorizaçã oda verdade, mas difere do método cientifico.

O Elder Richard G. Scott, que foi tanto um cientista quando um apóstolo de Jesus Cristo ensinou:

“Existem duas maneiras de encontrarmos a verdade—ambas úteis, desde que respeitemos as leis nas quais se baseiam. A primeira é o método científico. Ele pode exigir a análise de dados para confirmar uma teoria ou, como alternativa, pode comprovar se um princípio é válido através da experimentação. O método científico é uma maneira válida de buscar a verdade; entretanto, tem duas limitações: Primeira, nunca podemos ter a certeza de ter identificado uma verdade absoluta, embora nos aproximemos dela cada vez mais. Segunda, às vezes, por mais criteriosos que sejamos na aplicação do método, podemos ainda obter a resposta errada.

A melhor maneira de encontrarmos a verdade é simplesmente ir à fonte de toda a verdade e pedir inspiração ou seguir a inspiração que recebemos. Para sermos bem-sucedidos, dois ingredientes são essenciais: Primeiro, fé inabalável na Fonte de toda a verdade; segundo, a determinação de guardar os mandamentos de Deus a fim de manter aberta nossa comunicação espiritual com Ele.” (“A Verdade: Alicerce das Decisões Corretas”, Conferência Geral Outubro 2007)

O presidente Russell M. Nelson ensinou: “Deus é a fonte de toda a verdade. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aceita toda a verdade que Deus transmite a Seus filhos, quer seja aprendida em um laboratório científico, quer seja recebida por revelação direta Dele” (“O que é verdade?”, Conferência Geral de Outubro de 2022.)

Consideraremos o método científico no que tange à arqueologia - a ciência que estuda as culturas e os modos de vida das diferentes sociedades humanas. E deixemos que tais evidências da autenticidade do Livro de Mórmon sejam um elemento positivo na vida daqueles que já tem fé na realidade sagrada do Livro de Mórmon, e para os que ainda não tem fé, que seja um convite a ponderação e consideração, de modo que possam se aproximar das verdades espirituais por meios espirituais, e assim, chegar a “certeza de coisas que se não veem, mas que são verdadeiras” (Alma 32:21).

Arqueologia Bíblica

Dito isso, vamos analisar evidências arqueológicas da Bíblia brevemente, antes de falar do Livro de Mórmon. A razão argumentativa disso, será evidente ao final.

Não há tantas evidências históricas e arqueológicas da Bíblia como a maioria das pessoas supõem. A fragilidade dos materiais antigos, as escavações incompletas em lugares de constantes conflitos bélicos e o refinamento na interpretação dos dados coletados, fazem com que evidências dos textos sagrados sejam mais raras do que comuns. Por exemplo, não existe hoje nenhuma evidência, histórica ou arqueológica, que comprove que Moisés realmente existiu. Isso significa que Moisés não existiu e que o texto biblico é uma ficção? Não! Significa que pelo metodo cientifico não foi psosivel dizer que Moisés era uma pessoa real. Contudo, Moisés exsitiu. Sei disso não apenas pro acreditar na Bíblia, mas também porque o Livro de Mórmon menciona Moisés várias vezes, e para os que tem um testemunho espiritual, fornece uma segunda testemunha das verdades do Pentateuco.

Mas há, ainda assim, boas evidências de algumas histórias e personagens da Bíblia. Eis algumas:


Evidências do Antigo Testamento
  • Estela de Merneptá: Inscrição egípcia que menciona "Israel" como um grupo de pessoas em Canaã (c. 1208 a.C.).
  • Tel Dan Stele: Inscrição que menciona a "Casa de Davi", confirmando a existência histórica do Rei Davi (século IX a.C.).
  • Cilindro de Ciro: Decreto de Ciro, o Grande, permitindo que os judeus retornassem a Jerusalém e reconstruíssem o templo (539 a.C.).
  • Pedra Moabita (Mesha Stele): Inscrição do Rei Mesa de Moabe, mencionando conflitos com Israel (século IX a.C.).
  • Inscrição de Siloé: Relato da construção do túnel de Siloé durante o reinado de Ezequias (século VIII a.C.).
  • Carta de Lachish: Correspondência militar que descreve eventos próximos à invasão babilônica de Judá (século VI a.C.).
  • Cidade de Jericó: Escavações revelam destruição que alguns arqueólogos associam à conquista de Jericó por Josué (c. 1400 a.C.).
  • Tabletes de Ebla: Arquivos que mencionam nomes e lugares bíblicos, fornecendo contexto histórico para o período patriarcal (c. 2500 a.C.).
Evidências do Novo Testamento
  • Inscrição de Pilatos: Inscrição em Cesareia que confirma a existência de Pôncio Pilatos, governador romano que condenou Jesus à crucificação (século I d.C.).
  • Casa de Pedro em Cafarnaum: Escavações em Cafarnaum identificaram uma casa que a tradição associa ao apóstolo Pedro.
  • Piscina de Betesda: Descoberta em Jerusalém, confirma a descrição encontrada em João 5:2 sobre a piscina com cinco pórticos.
  • Ossuário de Caifás: Caifás era o sumo sacerdote que, segundo os Evangelhos, presidiu o julgamento de Jesus.
  • Inscrições de Nazareth: Artefatos encontrados que confirmam a existência de Nazareth no período de Jesus.

Arqueologia na Antiga América

Quando comparamos a quantidade de evidências históricas e arqueológicas da Ásia, Europa e Norte da África, verificamos que há uma quantidade impressionante de evidências arqueológicas de sociedades antigas, muitas vezes melhor documentadas e preservadas devido a fatores climáticos, históricos e culturais do que as sociedadesda América Antiga.

Alguns cientistas dizem que muitas civilizações na América foram interrompidas pela conquista europeia, levando à perda de conhecimento e destruição de muitos sítios. A escassez de documentação escrita em muitas culturas pré-colombianas também limita a compreensão completa de suas sociedades em comparação com regiões onde a escrita era mais comum e preservada.

Em 1800 os métodos e tecnologia disponíveis eram escassos para se aprender sobre os povos pré-colombianos. No século seguinte esses métodos e tecnologias foram aperfeiçoados. Escavações começaram a ter rigor técnico. Uma abordagem multidisciplinar facilitou a identificação de sítios arqueológicos e permitiu a descoberta, datação e explicação precisa de artefatos.

Nos últimos anos a tecnologia LIDAR (Light Detection and Ranging) tem sido uma ferramenta revolucionária na arqueologia, especialmente na América antiga. Ela funciona por meio de um sensor remoto que usa pulsos de laser para medir distâncias e criar mapas tridimensionais detalhados da superfície terrestre e de objetos. Uma das aplicações é que o LIDAR pode "ver" através da vegetação densa, revelando estruturas ocultas, como templos, pirâmides e estradas.

Na Guatemala, o LIDAR revelou uma vasta rede de cidades maias, estradas e canais de irrigação que eram desconhecidos anteriormente, transformando a compreensão da escala e complexidade da civilização Maia. Em regiões como a Amazônia, o LIDAR revelou assentamentos complexos e redes de estradas que sugerem uma ocupação humana mais extensa do que se pensava. O LIDAR também tem identificado terraços agrícolas, canais de irrigação e outras formas de manejo de terras que demonstram técnicas avançadas de agricultura e gestão de recursos em toda America Central e norte da América do Sul. Em Tikal, na Guatemala, essa tecnologia revelou uma rede urbana complexa que inclui mais de 60.000 estruturas, indicando uma população muito maior do que se pensava anteriormente.

Ou seja, muitas coisas estão sendo descobertas hoje. As tecnologias que levaram a essas novas e maravilhosas descobertas da arqueologia não estavam disponíveis nas décadas passadas. De fato, foi apenas na decada de 1980 que essa tecnologia começou a ser usada de modo mais robusto para fins de pesquisa arqueológica.

Evidências arqueológicas do Livro de Mórmon

O Livro de Mórmon é um texto sagrado de povos reais que viveram no continente americano antes dos europeus. Assim, deve se esperar evidencias de sua realidade, assim como o'da realidade das historias bíblicas. Contudo, assim como a Bíblia, não temos tantas “provas” como gostaríamos de ter. Assim como não tenhamos nenhuma evidencia arqueologica com vários personagens e cidades da Bíblia, também não o temos com vários personagens e lugares do Livro de Mórmon.

Os autores do Livro de Mórmon fizeram um registro espiritual e que não abordaria questões históricas de maneira profunda (1 Néfi 9:2; 2 Néfi 5:33; Jacó 1:2–3). Seus compiladores minimizaram as referências culturais para maximizar sua universalidade, especialmente para as pessoas dos últimos dias (Alma 37:14, 18–19; Mórmon 3:17–22; 8:25–41). Se eles tivessem feito demasiadas referências históricas e culturais teriam minado ou diluído os seus objetivos espirituais, que eram muito mais importantes. A este respeito, os autores do Livro de Mórmon parecem admiravelmente clarividentes. No entanto, para comunicar eficazmente muitas doutrinas esclarecedoras, era necessário, inevitável, incorporar um pouco de história e cultura. E ai podemos extrair algum conhecimento e buscar as evidencias que corroboram a autenticidade do livro, pois não se trata de uma ficção.

Mencionarei 10 evidências arqueológicas. Existem muito mais. Recomendo o site centraldasescrituras.org para mais evidências.

Evidência 1: as placas de metal

Quando o Livro de Mórmon foi publicado, uma das críticas mais severas era de que placas de metal não existiam. Os críticos disseram que é a história de Placas de metal era tolice, porque as civilizações antigas não preservavam os seus registros desta forma. Disseram que os antigos israelitas, em particular, não escreviam em placas, mas em coro, pergaminhos ou ceramica. Afirmavam os críticos que tais placas, se exitissem seriam pesadas demais para Joseph Smith carregar enquanto fugia de inimigos que queriam roubar tal tesouro.

O tempo passou e centenas, senão milhares, de exemplos de placas de metal – cobre, prata, bronze, latão e, sim, ouro – foram descobertas! Varias delas estavam em em caixas de pedra e até mesmo algumas presas com anéis de metal – assim como as placas que deram origam ao livro de mórmon estvam! Elas foram desenterradas em lugares tão diversos como Espanha, Bulgária, Itália, Grécia, Coreia, Egipto, Síria, Irão e até Mesoamérica. Quanto a Israel, não só encontramos o famoso pergaminho de cobre de Qumran, mas também duas pequenas placas de prata de Jerusalém que datam dos séculos 7 a 6 a.C.

Também aprendemos sobre uma liga brilhante de ouro e cobre chamada tumbaga pelos espanhóis que existe desde os tempos pré-colombianos - a mesma composição descrita pelo irmão de Joseph, William - trazendo as placas com um belo peso “pesado” de 18-25 kilos.

Imagem do altar com as inscrições NHM - O Livro de Mórmon nome "Nahom" torna-se NHM quando escrito em hebraico

Evidência 2 – Um altar árabe numa encruzilhada chamada Naom

Se você já leu o Livro de Mórmon, sabe que um dos patriarcas das primeiras pessoas apresentadas no registro, morre durante a viagem no deserto entre Jerusalém e a Terra de Abundância. O nome dele é Ismael. Agora o que talvez você não saiba é que foram encontrados não um, mas três altares antigos inscritos com as mesmas três consoantes semíticas do nome do lugar Naom, conforme mencionado em 1 Néfi 16:34, onde Ismael morreu.

Não importa a falta de vogais no alfabeto hebraico que possam alterar a pronúncia: “Ni-ham”, “Nu-heem”, “Nehum”. A coincidência continua surpreendente. Esses altares não apenas são encontrados no lugar certo, mas também datam da época certa. Se isso não bastasse, o próprio Naom aparece associado à palavra hebraica para “luto”, e é precisamente por isso que a família de Leí e de Ismael estava lá. Naom era uma das maiores áreas funerárias do antigo sudoeste da Arábia, e os viajantes estavam lá para lamentar a morte de Ismael.

Joseph Smith simplesmente não poderia saber disso em 1830.

Evidência 3 – Cimento

O Livro de Mórmon diz que durante o século I a.C., os nefitas enfrentaram um desafio complicado. A terra estava sem madeira. Isso os forçou a depender da construção de cimento para moradias e outros edifícios (Helamã 3:7).

Ninguém na época de Joseph Smith poderia ter apontado para qualquer muro ou fonte de cimento dos nativos americanos. B. H. Roberts escreveu uma carta em 1932 citando algumas fontes de trabalhos com cimento que antecederam a publicação do Livro de Mórmon, mas esta informação era altamente obscura até meados do século XX. O emprego da palavra “cimento” foi citado como prova anacrônica da fabricação do Livro de Mórmon pelos críticos.

Mais uma vez, o tempo derrubou essas criticas. Não apenas estruturas de cimento foram identificadas em toda a Mesoamérica, mas como observou o Dr. John Sorenson: “O aparecimento de cimento no Livro de Mórmon no século I a.C. concorda notavelmente com a arqueologia do México central.”

Evidência 4 – o selo de Muleque

Os artefatos que apoiam o Antigo Testamento, por exemplo, são muito raros e altamente apreciados pelas pessoas de fé em Israel e em todo o mundo. O mesmo se dá com o Livro de Mórmon.

Um pequeno emblema de argila, para carimbar documentos, foi achado em Jerusalém na década de 1980, com o nome Malkiyahu ben hamelek, ou Malkiyahu, filho do rei. Este selo data convenientemente do final do século 7 ou início do século 6 a.C.

Os leitores do Livro de Mórmon conhecem bem um grupo tribal que afirmava ser descendente de um filho de rei. Ele era filho do rei Zedequias, e ele se chamava Muleque. (Helamã 6:10; 8:21) O problema é que a história não tinha conhecimento de nenhum do “Príncipe Mulek” até o surgimento do Livro de Mórmon. Historiadores pensavam que toda família real havia sido morta no massacre babilônico. Mas o Livro de Mórmon dizia que um dos filhos havia fugido com um grupo e migrado para américa.

Então, isso que torna este selo bem interessante. Mulek é facilmente uma forma hipocorística, ou abreviada, de Malkiyahu, exatamente como hoje abreviaríamos Guilherme para Gui. Mulek também pode ter sido mencionado em Jeremias 38:6.

Evidência 4 – Cevada nas Américas

Em Mosias 7:22 no Livro de Mórmon lemos que os nefitas cultivavam cevada, até mesmo utilizando-a para fins monetários: “E eis que neste momento pagamos tributo ao rei dos lamanitas, no valor de metade de nosso milho e de nosso cevada e até mesmo todos os nossos grãos de toda espécie”.

A cevada aparece no Livro de Mórmon quatro vezes diferentes (Mosias 7:22; 9:9; Alma 11:7, 15). No entanto, não se sabia que este grão existia na America, muito menos que era cultivado. Assim, isso alimentou muitas críticas do Livro de Mórmon. Várias pessoas ridicularizaram o fato do Livro de Mórmon mencionar cevada. Mas em 1983 os arqueólogos reconheceram a existência e o cultivo de um tipo de cevada do Novo Mundo que datava de 800 a.C.

Então, de fato, o Livro de Mórmon esta de acordo com a ciência arqueológica.

Evidência 5 – Cidades submersas

As cidades submersas são muito específicas e raras e o Livro de Mórmon descreve especificamente como certas cidades “e os seus habitantes” são destruídos por uma inundação. Três comunidades nomeadas – Jerusalém, Onia e Mocum – sofreram esse destino aquoso porque, o Senhor, queria “esconder suas iniqüidades e abominações de diante de minha face, para que o sangue dos profetas e dos santos não suba mais sobre mim contra eles. . .” (3 Néfi 9:7).

3 Néfi sugere que estas cidades foram submersas intactas. O único fenômeno natural que explica a imersão de uma cidade intacta são os terremotos e/ou erupções vulcânicas.

A arqueologia moderna identificou centenas de ruínas submersas, mas relativamente poucas no hemisfério ocidental. Há relatos de estruturas submersas na costa sudoeste de Cuba e outras ruínas subaquáticas em diferentes locais ao redor do Lago Titikaka, na América do Sul. Em relação a Cuba, nenhum pesquisador sério propôs ainda uma correlação geográfica com o Livro de Mórmon. Quanto à América do Sul, tais laços foram propostos, mas as ruínas submersas no Lago Titikaka têm entre cinco e dez mil anos. Assim, não conseguiriam satisfazer o critério de alinhamento histórico.

Em meados dos anos 90, contudo, um mergulhador chamado Roberto Samayoa notou edifícios submersos sob a superfície do Lago Atitlan, na Guatemala. Sua descoberta acabou atraindo a atenção de arqueólogos credenciados. Eles começaram a estudar seriamente a área, utilizando varredura por sonar para localizar edifícios subaquáticos adicionais.

Os investigadores alegadamente encontraram “cerca de 30 casas antigas, uma praça, escadas e até saunas, entre as ruínas submersas. . . .” bem como 16 estruturas religiosas e pelo menos sete estelas. Os arqueólogos descreveram o local como um lugar “de rituais públicos e peregrinação”. O aumento repentino da água que submergiu esses 30 acres de ruínas foi atribuído à provável atividade vulcânica. O local foi datado no “período pré-clássico tardio, provavelmente por volta da época de Cristo.”

Evidência 6 – Barbas

Nós sabemos que parte da colonização da América se deu com israelitas. E os israelitas do passado, assim como muitos israelenses de hoje, prezam pela barba.

Mas aí encontramos um desafio. Os nativos americanos geralmente não tem muitos pelos faciais. Não obstante, artefatos antigos das americas frequentemente retratam figuras com pelos faciais. Curiosamente, isso inclui representações de divindades e homens comuns. Por exemplo, a mitologia mesoamericana fala de um 'Deus de barba branca' que retornaria, uma crença que influenciou a queda de Montezuma diante de Cortez.

Pesquisas modernas revelam que, antes da conquista espanhola, líderes tribais às vezes usavam bigodes falsos, simbolizando domínio e autoridade. A distribuição hemisférica dessa iconografia barbuda varia ao longo dos períodos arqueológicos.

Curiosamente, o Livro de Mórmon sugere que uma migração do Oriente Médio poderia ter introduzido pelos faciais na genética local. Estudos estatísticos mostram que figuras barbudas são mais comuns em certas regiões e épocas, especialmente antes de 300 d.C., tornando-se raras na época do contato espanhol.

Esses achados corroboram a ideia de um 'gargalo genético' e mudanças culturais, onde a assimilação dos sobreviventes nefitas pela população dominante poderia ter diluído traços genéticos como pelos faciais, evidenciado pela ciência moderna e registros arqueológicos.

Evidência 7 – Fortificações

Alguns céticos questionam a técnica de datação por carbono-14, especialmente quando aplicada ao Livro de Mórmon e suas evidências, como fortificações militares. Mas quando olhamos para o grande volume de testes que corroboram dados consistentes, é difícil ignorar suas implicações.

Embora nem sempre óbvias como os altares de Nahom, as evidências exigem um olhar atento. Por exemplo, muitas cidades antigas na América Central são cercadas por fortificações, o que levanta questões sobre quando e por que foram construídas. O carbono-14 oferece insights valiosos aqui.

Historicamente, sítios como Teotihuacan e Copán eram vistos apenas como centros cerimoniais, mas pesquisas recentes confirmaram que eles sustentavam grandes populações. O Livro de Mórmon descreve cidades movimentadas na Mesoamérica, agora comprovadas por descobertas arqueológicas.

A introdução da tecnologia LiDAR, que já mencionei mais acima, que usa pulsos de laser para revelar estruturas sob a selva, tem sido revolucionária. Em 2018, uma pesquisa maciça na Guatemala descobriu mais de 31 áreas fortificadas, além de 60.000 estruturas desconhecidas, evidenciando uma densidade de fortificações inesperada que data do período pré-clássico final.

Essas descobertas são fundamentais para entender a história descrita no Livro de Mórmon e fornecem uma nova perspectiva sobre as antigas civilizações da Mesoamérica, como descritas, por exemplo, em Alma 51:27.

Evidência 8 – Ferro Olmeca

Em Éter 10:24, descreve-se o trabalho dos Jareditas com metais, mencionando ouro, prata, ferro e bronze, mas sem citar o processo de fundição, essencial para transformar minério bruto em ferramentas e armas.

Os autores do Livro de Mórmon sabiam sobre fundição. Néfi construiu um fole para fazer ferramentas de ferro (1 Néfi 17:9, 17), e Morôni mencionou a falta de minério para criar mais placas (Mórmon 8:5), embora mais tarde tenha encontrado esse minério. Curiosamente, os Jareditas, na época de Sule, derretiam minério do monte Efraim para forjar espadas de aço (Éter 7:9).

A arqueologia mostra que, no período correspondente a Éter 10:25-27, o trabalho com metal era como descrito no versículo: extração direta de minério da terra e formação de grandes montes de terra para obter o minério. Antes dessa pesquisa, não se sabia que objetos úteis poderiam ser feitos de pedaços de hematita, magnetita e ilmenita extraídos diretamente do solo. Esses blocos de minério eram então esculpidos e polidos, um processo minucioso.

Curiosamente, oficinas que trabalhavam com esse tipo de metalurgia prosperaram durante o período pré-clássico dos olmecas, civilização muitas vezes correlacionada com os Jareditas. Locais que moldavam artefatos de blocos de minério de ilmenita foram identificados em três sítios no coração olmeca.

Esta correlação entre os métodos descritos no Livro de Mórmon e as práticas dos olmecas fornece uma fascinante perspectiva arqueológica.

Evidência 9 – “Eis que”

"O Livro de Mórmon é notável não só pelo que diz, mas também pelo que não diz. Gary Rendsburg, uma autoridade judaica na Bíblia Hebraica, destaca o uso do termo hebraico equivalente a 'e eis que', na Bíblia. Ele descreve como essa expressão permite ao leitor ver a cena pelos olhos do personagem, trazendo uma perspectiva participativa, semelhante à técnica de 'ponto de vista' no cinema.

Na Bíblia, 'e eis que' frequentemente indica surpresa ou uma reviravolta inesperada. Por exemplo, no sonho de Jacó em Betel e no encontro de Moisés com a sarça ardente, essa expressão destaca elementos chave das visões, permitindo que o leitor as experiencie pelos olhos dos personagens.

Curiosamente, a expressão 'e eis que' também aparece no Livro de Mórmon, refletindo a herança hebraica de seus escritores. Por exemplo, na história de Amom e o Rei Lamôni, e na pregação de Néfi, filho de Helamã, sobre o assassinato do juiz chefe, 'e eis que' traz os leitores para dentro da cena, fazendo-os testemunhar os eventos surpreendentes pelos olhos dos personagens.

Outro exemplo marcante é encontrado no livro de Helamã, onde um grupo de lamanitas é envolvido em trevas após prenderem os profetas Néfi e Leí. Aqui, a narrativa usa 'e eis que' para permitir que o leitor experimente o milagre da conversão dos lamanitas pela perspectiva de Aminadabe.

Finalmente, no 3 Néfi, quando o Salvador desce do céu, a expressão é usada para abrir nossa compreensão e nos fazer ver, através dos olhos da multidão, Jesus ressuscitado descendo do céu.

Assim, o uso de 'e eis que' no Livro de Mórmon alinha-se bem com sua implementação bíblica, destacando a profundidade literária e o contexto cultural do texto."

Evidência 10 – Nomes do Livro de Mórmon

"O Livro de Mórmon se destaca pela sua rica variedade de nomes, apresentando um aspecto impressionante da sua complexidade literária. Segundo o Onomástico do Livro de Mórmon, o texto contém 337 nomes próprios, dos quais 188 são exclusivos do livro, enquanto 149 são comuns tanto ao Livro de Mórmon quanto à Bíblia.

Esses nomes referem-se a indivíduos, grupos sociais, locais e, em alguns casos, itens específicos, como o 'Rameumptom', mencionado em Alma 31:21. Alguns nomes são citados uma única vez e não são mais referenciados, como 'Abish' em Alma 19:16.

Em outros casos, os nomes são usados com consistência surpreendente ao longo do registro nefita. Por exemplo, no livro de Éter, uma genealogia apresenta vinte e sete nomes incomuns, que são repetidos em ordem inversa nos capítulos seguintes, demonstrando uma complexidade narrativa notável.

A consistência impressionante também é observada nas referências a terras, cidades, grupos sociais e religiosos, cronistas nefitas, designações de pesos e medidas, entre outros. A precisão com que esses nomes são apresentados, quase sem erros, é notável.

É verdade que outros textos, tanto fictícios quanto não fictícios, também possuem grandes quantidades de nomes com consistências similares. No entanto, o Livro de Mórmon foi ditado por Joseph Smith a vários escribas em uma tradução rápida, sem o auxílio de notas ou esboços e sem revisões substanciais, o que torna a correta utilização de todos esses nomes ainda mais impressionante.

Além dos nomes, o Livro de Mórmon contém outros recursos complexos e consistentes, como sistemas de calendário, um sistema desenvolvido de pesos e medidas, múltiplas migrações, narrativas complexas, doutrinas coesas, textos-fonte, estruturas poéticas, relações intertextuais, gêneros literários e muitas profecias cumpridas internamente.

A capacidade de Joseph Smith de ditar os 337 nomes próprios do Livro de Mórmon sob essas circunstâncias incomuns e ao lado de tantos outros recursos complexos, sem esquecer ou confundir a que ou a quem os nomes se referiam, oferece evidências da tradução milagrosa do Livro de Mórmon."

Comentários

Postagens mais visitadas